Após o inferno...meses depois.
Passei muito tempo no limbo, como se o tempo nem existisse, pouco importava, não sorria...
Nada era tão emocionante como antes, eu na verdade enxergava um mundo um pouco cinza, sem rostos...
Cada dia que se passava eu deixava menos lágrimas em meu travesseiro, voltava a fazer tudo, mas, sem vontade de sair da cama.
Não deixava o tempo ocioso, pois toda vez que isso acontecia, eu me entristecia. Preenchia aquele vazio, ocupando a cabeça com mais trabalhos.
Queria fazer tanta coisa, e na verdade eu estava perdida... Não sabia mais pra onde correr, ou me esconder.
Acho que foi devido a essa indecisão que minha vida profissional ( fotógrafa), ficou empacada, nem aqui , nem ali se encontrava. Nesse meio tempo me deparei com o que seria meu aprendizado espiritual, do qual eu saí mais triste do que entrei...Porta fechada, para uma conta que já foi paga e encerrada.
...
Pode-ser dizer que pequenos momentos e vários deles trouxeram a esperança novamente. Uma alegria radiante que fazia tempo que não sentia na alma.
Ouvia os conselhos de pessoas que estavam por perto com quem eu trabalhava. E um deles, nunca esquecerei "Coloque isso na sua cabeça, que seu lugar não é aqui..."
Dei tempo ao tempo... Voltei a estudar um pouco mais a fotografia. Abandonei a vergonha e vesti a cara de pau de ir encarar coisas que nunca teria tentado no passado. Não quero mais sentar naquele velho sofá com pena de mim, envelhecendo em minha covardia...
Se existe repostas para serem descobertas, onde elas estiverem, eu irei encontrá-las.
Dei tempo para que eu me recuperasse, e voltasse a sorrir de verdade. Tempo para recomeçar!
Cada pensamento positivo me levava a outro, como para cada atitude positiva também.
Uma cena que fiquei com olhos marejados no cinema ( não tô nem aí, mas chorei mesmo), da animação "Como treinar seu dragão 2"
O reencontro do pai do soluço com a mãe que estava desaparecida, ele chega de mansinho , ela se esquiva porque acha que ele vai brigar com ela... Ele se aproxima devagar e olhando em seus olhos, e a abraça e beija carinhosamente.
Manteiga...é, sou mesmo!
A couraça na batalha me protege, vou à luta sem medo...
Mas, o olhar meigo, um tanto ingenuo, e bobo é da criança que mora dentro de mim...
Olho para cima e ainda vejo aquele sol dourado de inverno iluminando o final de tarde.
Olho para o céu estrelado e imagino que alguém me escuta lá de cima.
Olho meu travesseiro e fecho os olhos, imagino você sorrindo.
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