sábado, 28 de fevereiro de 2009

Olhar de fotógrafo...


Caminhando pela beira d'agua à tarde...

Fiquei olhando para as pessoas que também circulavam, mas eu não reparava se eram belas ou feias, altas ou baixas, magras ou gordas...

A luz, tão importante para se fazer uma boa foto...

Que luz maravilhosa, dourada, desenhava, contornava todas aquelas pessoas. A luz rebatia na água, ficando prateada, dourada e brilhante.

Que momento pra guardar na memória, mas que pena não estar com minha câmera fotográfica naquele exato momento.

Basta...digo não!


Medo de perder, perder o que na verdade não se tem por inteiro. E a acomodação por aceitar, simplesmente, sorrindo, dizer sim.

Isso machuca o coração e adoece a alma...
Mas quem escolheu esse caminho?
Não existem culpados...
Mas basta de viver por uma metade de um amor, metade de uma amizade, metade de um alguém que não se tem, metade de uma história que nunca acontecerá...

Metade de uma vida...

Eu não quero essa vida pela metade, em migalhas, pedaços, partes, destroços, restos....

Medo...

Digo não pra mim mesma...

Vou caminhando...

E espero...

O pecado da gula...






Minha dieta light e equilibrada foi parar em outro lugar, bem longe, nesse carnaval.

De light na praia foi só a água de côco e as caminhadas pela praia, pois o restante fora o pecado da gula, churrasco, massa, doce, frituras...

Mas não me arrependo, tem dias que a gente merece descanso de nós mesmos...

Bom, a academia me aguarda...

Susto na praia...


A tarde, fomos a praia, meu cunhado,um amigo da minha irmãzinha, minha outra irmã, a minha sobrinha e eu.

As meninas iam passear pela praia, enquanto os meninos foram nadar...

O sol já estava se pondo, bem mais fraco, a brisa leve no rosto. A pequena queria tocar a água mas não queria descer do colo. Estava bem acordada, mas o barulhinho do mar fechou os seus olhinhos e ela dormiu embalada nos meus braços, que sono ....

Lá longe, estavam eles mergulhando e pulando as ondas, eu resolvi sentar-me longe, no muro, na parte seca.

Passaram-se minutos e nada deles voltarem, e a noite vinha chegando. O lugar ficou escuro e as luzes foram acesas, apesar disso pouco podíamos enxergar nitidamente algo de longe.

Pedi pra minha irmã procurar por eles... E nada....
Não pode ser, impossível, os dois se afogarem...?
Só que não era minha imaginação, eu também não vi e não encontrei eles dentro da água...

Nessas horas o que se passa na cabeça... É melhor não dizer, mas era impossível não pensar...
O que eu vou dizer pra minha irmãzinha? E a minha sobrinha?...
Isso não pode estar acontecendo...

Minutos depois, ligaram da casa da praia... Eles estavam lá, inteiros, sãos e vivos...

Fora um mal entendido, como não nos avistaram de longe, foram embora, só que como se afastaram muito as ondas arrastaram os pra outro lado... Ai já viu... A confusão ...

Minha irmã ficou muito irritada com o acontecido... Eu? Fiquei aliviada, ainda bem que foi engano...Ufa!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Paladar picante...


Adoro um pouquinho de pimenta no prato, pra saborear...

Mas teve uma vez, eu jantava com meu ex namorado. Acho que era um restaurante de comida caseira, ou mineira, algo parecido...

A noite estava agradável, uma brisa leve, o clima romântico no ar, tudo absolutamente perfeito...

Estávamos numa mesa próxima a janela, pois estava calor. Eu estava trajando um vestido de vis cose bem leve.

Passei pela mesa de saladas, frios, pratos quentes. E lá vi, as pequenas cumari...
Pensei: "Que desperdício, eu vou pegar a pimenta mesmo, só o caldinho não..."

Alguém já imaginou como deve ser um vulcão prestes a entrar em erupção?
Numa garfada, levando muitas cumari a boca, a hora que eu senti as danadas descendo pela minha garganta... Não consegui cuspi-las. Engasguei, tudo pegava fogo...
Bebi uns três copos de refrigerante, de água....
A essa altura já havia perdido a tal da compostura à mesa.
Ai meus botões... Que otária...


Depois disso tudo o ex disse pra mim: - Era pra pegar só um pouquinho do caldo, essa pimenta é muito forte....
Pensei..."Agora que ele me avisa"...



Lembrete: Se um dia por acaso, isso acontecer com alguém por engano, bebam azeite pois ele corta essa sensação de ardido na hora...

Praia ... parte 2









Talvez eu seja de alguma forma, uma espécie noturna.
Mil vezes, eu prefiro dirigir a noite e de madrugada. Por incrível que pareça os meus reflexos são mais atentos a noite e de madrugada, agora pegar no volante, logo depois de manhã após acordar...



Lembro de uma vez, que estávamos indo pro Rio de Janeiro, a saída foi logo de manhãzinha. O combinado era eu levar o carro até a metade do caminho e depois minha irmãzinha assumiria.
Eu não cheguei nem perto da metade da minha metade...
O sono era tanto que eu não acelerava o carro, toda vez que começava a piscar os olhos eu desacelerava, ridículo...
E minha irmã: - Eu estranhei mesmo, você desacelerando toda hora...
Depois disso ela assumiu a direção e eu apaguei, dormi, acordei quando chegamos no Rio...

...
Voltando a praia...

Viagem noturna, trânsito livre, brisa leve e fresca. Eu não desejaria nada mais que isso. O paraíso para quem dirige...
O carro estava lotado, desde os passageiros à bagagens que pareciam não caber, mas graças ao quebra-cabeças e encaixa daqui e dali, minha irmãzinha e meu cunhado resolveram o problema.

Durante a viagem, de repente, escutei, vindo da minha irmãzinha:- Ai, p....droga! A hora que virei pra ver era a lata de refrigerante, abriu e foi jato pra todos os lados nela, no meu cunhado, na outra irmã, no carro, no cachorro ... Só eu e a sobrinha escapamos do banho doce....


Havia me esquecido de como é belo o céu estrelado na praia... Parece uma pintura, as estrelas tão radiantes e o fundo da tela tão breu... Um show a parte, sem dúvidas. O primeiro olhar da minha pequena sobrinha para a tal tela era de uma admiração e encanto. De ficar boquiaberta enquanto apontava com o dedinho.

Enfim, os pés na areia molhada e o sol ali mesmo, e muito calor. Era tudo o que eu queria. Estar ali e nenhum outro lugar....

Na água salgada, observei uma agitação, mas não por terra ou água. O barulho ensurdecedor vinha de cima, dos céus. O helicóptero sobreava acima de nossas cabeças de um lado para outro, não sei exatamente o que procuravam, mas juro tive a impressão de um certo momento terem justamente parado a poucos metros de mim. Eu não estava me afogando, apontei a água na minha cintura pra eles, não sou procurada pela polícia, tão pouco sou uma pessoa pública ou famosa. Mas que a situação fora estranha, isso foi...

Praia ...parte 1



Ah quanto tempo eu não pisava em praia, que saudades...

Bom, eu não desgrudava meus olhos do calendário e fazia contagem regressiva até chegar o carnaval. Ouvia as lamentações dos colegas, mas no fundo eu estava pensando em sol, água salgada e areia... A cabeça em outro lugar, bem distante do meu trabalho. Fazia um mal tempo uma semana antes da minhas saída para o meu lugar desejado.... Chovia muito, até a temperatura amenizou-se. Mas eu tinha certeza que São Pedro não ia me desapontar, pelo menos alguns dias de sol, por favor...

...

Arrumei minha mala, e no final ... Ai...pesada demais... Coisas de mulher!
Só consigo levar pouca bagagem quando eu vou ali e volto.

Já pensou? É muita coisa pra levar...cremes, roupas, biquinis( mais de um com certeza...), e mais cremes e uma mala enorme no final...

....
Dirigir...
Eu amo dirigir, mas em São Paulo?
Eu estava muito apavorada só de pensar que iria dirigindo pra cidade grande.
Não era medo da cidade, mas de me perder e não encontrar o caminho... Isso me afligia e muito, até sofri por antecedência...
No final, devido ao trânsito lento nas marginais, era impossível me perder, vi todas as placas de indicação uma a uma. Afinal de contas, era uma simples questão de seguir as tais placas...

Não posso nem reclamar de trânsito dessa vez, dirigi tranquilamente, e sem stress, em compensação a outra viagem a praia em 2003... Essa história fica pra depois...

Dívida paga...



Tem pessoas que marcam nossas vidas, pelo modo como nos tratam, o bom humor, a espontaneidade, e as brincadeiras...

Como é bom demais trabalhar assim, já basta o serviço que desempenhamos por ser árduo e pesado, o ambiente hospitalar tão sério e azul...

Brincadeiras a parte, um colega, na brincadeira sempre cobrava um pastel de pizza pra mim. O seu último dia de trabalho, realmente ele se encontrava alteradíssimo e brincalhão... Nada disse, mas era mesmo o último dia conosco.

Semanas antes, eu paguei essa dívida .... de amigo... mas paguei, enfim sem peso algum na minha consciência...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ilusões...



Só uma frase resume tudo isso...

A resposta mais simples é chave para o problema... Nada de fantasias, ou idéias, ou desculpas mirabolantes...

Eu sei disso!

E não queria enxergar...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O super homem...


Meu pai...

Sempre o imaginei o pilar dessa família, ele, forte, imbatível e indetrutível...

Aquele homem que um dia foi campeão paulista no judô, alto e de coluna ereta como uma rocha inabalável...

O tempo também o acompanhou, e a vitalidade de outrora foi se esvaindo. Deixando um corpo cansado mas com muitas experiências.

....



Vê-lo internado no PS devido a uma celulite no braço e totalmente fragilizado me deixou arrasada. Uma por ele estar passando por todo aquele processo de dor, a segunda por eu realmente perceber que meu super homem era humano e terceiro a frustação de não poder ofererecer a ele um tratamento hospitalar melhor do que aquele onde estava...

...


Nós sempre tivemos brigas desde minha adolescência, discussões essas que nos magoavam mutuamente, porque temos o mesmo gênio teimoso e brigão...
Recentemente, aliás há 5 meses brigamos devido a divergência de opiniões quanto a dieta que ele deveria seguir e restringir também... Não deu outra, brigamos, e houve outra discussão sobre isso e outra sobre aquilo...


O silêncio emudeceu nossas vozes... Nem ele, tão pouco eu, dávamos o braço a torcer...
Sendo assim paramos de falar um com o outro, por dias, semanas e meses...
Era melhor assim, tudo era motivo pra começar uma nova briga...

...

Mas... sempre tem esse "mas", não gosto de ficar distante e brigada com ele...
Ainda mais hoje, que daqui a pouco irá alcançar a casa dos 70... O tempo passa, mas pode muito bem encerrar a qualquer hora...
Sei disso mas do que ninguém, o futuro pertence somente ao "cara" lá de cima.

Não consigo fingir que está tudo bem quando na realidade não estou. Meu rosto transparece qualquer desequilibrio, não sorrio quando estou triste, não dou gargalhadas quando algo me incomoda...

Nós dois precisávamos de um tempo em silêncio. Pois a distância nos faz refletir, e perdoar.

...-"Pai, lembra daquela história do prédio, em Juiz de Fora...?"
-"Lembro..."

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Quase dois anos...saudades...


Quase dois anos já se passaram desde a morte do meu querido gato preto... Que falta que ele me faz, aquela carinha meiga e mal comportada...

Mas tão carinhoso como só ele sabia ser...

Terminei de ler "Dewey", o gato entre livros...
A medida que se passavam os capítulos... aff!
São tantas lembranças, tantos momentos, e o tempo passa, e realmente esses pequenos são muito mais que animais de estimação, são da família, e marcam as nossas vidas...

Assim também foi Mimi, o gato preto de casa...

Ahhh... quantas saudades dele, meu gatinho, meu amigo querido.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Target...


Dias intermináveis de dor aguda no pós operatório...

Controlava com comprimidos que aliviavam temporariamente minha algia incontrolável e constante... Sentir dor, amolecia minhas pernas... Chegava aos extremos ...
Era quando eu tinha que apelar para medicações mais potentes e rápidas.

Porém, contudo... Apesar de ser uma ótima aplicadora de injeções em pacientes, eu não conseguia de jeito algum me auto aplicar... Medo...

Uma noite, desesperada de dor, pedi pra minha irmã aplicar a injeção intra-muscular em mim: -Pelo amor de Deus, aplica que tá doendo tudo, não aguento mais... disse eu desesperadamente.
Minha irmã, dentista, respondeu: - Tudo bem, eu vou fazer isso...

Demorou tanto, ela estava muito nervosa e eu pior ainda...

Ela nunca aplicara injeção no músculo, apesar de ser dentista. Eu expliquei e reexpliquei...
Peguei uma caneta esferográfica preta e marquei no meu bumbum um "X", a área certa pra aplicar... Falei :- É aqui, quadrante, superior externo, bem aqui...
E finalmente, ela aplicou a medicação, que alívio...

O dia seguinte, voltei para o médico para um retorno...
Seriamente ele fez o exame físico de rotina e perguntou se estava tudo bem, mas...
Percebi, que ele olhou pra mim com uma cara estranha mas nada disse...

Quando cheguei em casa, troquei de roupa, e num relance, olhei um X...
Ai ... esqueci de apagar, agora entendi...
Dei gargalhadas sozinha...

Um conto de fadas...


Um dia, não muito distante, a menina ao pé da cama ouvias as histórias antes de dormir, muito atenta...

O amor, ele é o sentimento mais importante e nobre que o ser humano pode demonstrar por ele mesmo, por sua família, amigos, e por seu grande amor...

Vou lhe contar uma pequena história... Era uma vez, a muito tempo numa cidade muito distante daqui, a muito e muito tempo....

O conto de fadas...
Quem não acredita neles?

O mundo moderno e high technology...

A magia se perdeu ou se escondeu em algum lugar invisível?

Não é uma questão religiosa, ingênua, imatura, ou fuga...

Apesar de viver, e reviver todos os dias a dura realidade, dessa selva de pedras.
Em busca de reconhecimento profissional, tomar decisões sobre minha vida, as vezes friamente...
Focalizar objetivamente o que tenho a fazer para alcançar minhas metas. Trabalhar, estudar, malhar, correr, suar, pensar, alimentar me saudavelmente, lutar, fracassar, levantar e seguir em frente...

Tudo isso levaria uma pessoa a procurar a acomodação e conformação de um relacionamento...

Eu não procuro isso...

Não desejo a conformidade... O porto seguro de braços protetores me acolheram tão confortavelmente, mas para meu egoísmo sabia que não duraria para sempre...

Busquei amor onde não havia tal sentimento, momentos que se passaram sem importância...

Privei me de arriscar uma possível história por ser orgulhosa demais...

Vivi pela metade, saciando somente a minha vontade e esquecendo meu coração... Adoeci dentro desse vazio dessa metade...

Piegas a parte, eu acredito, num toque de magia, de algo especial, e único sem esquecer minha realidade, minha vida...

...

Sonho ou realidade... Quem sabe...?
A chuva caía fina com uma brisa leve em meu rosto... Podia ver sua alma através de seus olhos...
Desejei cada minuto daquele momento, o mundo parou ...
Meu coração palpitava e sentia seu hálito doce, sabor menta....
Um beijo, olhares e flertes ...

Minhas lembranças...

As duas metades, unidas, e inseparáveis...
Uma história, era uma vez...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Chorinho horripilante...


Filmes de terror da década de 70 e 80 davam medo. Existiam os efeitos sonoros que causavam arrepios enquanto a gente ficava imaginando as cenas. Mas sem comparação aos efeitos super, ultra moderno que hoje existem no mercado cinematográfico...

Dois momentos...

Estava eu na porta da sala de cirurgia, escrevendo meu relatório, e uma voz ruidosa lá do outro lado finalmente chegou aos meus tímpanos...Era um chorinho ardido e doloroso, de fome talvez, mas precisamente idêntico àquele filme "Bebê monstro" de 1987 ou 1988 que não mostra absolutamente nada, eu escondia meus olhos à toa, o medo era tanto, mas aquele chorinho era de horripilante.
Nessa época os filmes de terror causavam ansiedade e tal sentimento de medo pois dava muita vazão a nossa própria imaginação, o barulho dos efeitos sonoros assustavam, mas o que a mente maquinava dentro de nós, bastava esconder o rosto em que as cenas escondiam, a imaginação cuidava dessa parte.


Filmes : "O grito" e "1408"...

Se já não bastasse nossa mente pregando peças de vez em quando. Tais filmes de terror ficaram superiormente melhores.
Desde figurinos, maquiagens, atores, e os efeitos especiais...Benditos efeitos que nos fazem tremer, e acelerar o coração sossegado ... Aff!
Se fosse somente durante aqueles 120 minutos de tortura mental... Não...
O medo, a perseguição da nossa imaginação persiste. Impiedosamente, sarcásticamente, e continuamente.

Depois de assistir "O grito", fiquei 2 meses receosa em passar pela cozinha até o meu quarto, a noite e sozinha, coisa tão boba, mas eu sempre tinha a impressão de estar sendo vigiada...
E a cena do chuveiro.... Mal conseguia fechar meus olhos pra lavar meus cabelos...Ridículo....

Mas tudo fica armazenado na mente, e ela nos prega cada peça...a imagem fica guardada em algum lugar.
E de repente você pensa que viu mas no entanto não viu nada...

Para tudo passar, você tenta desesperadamente se convecer que tudo não passa de um engano, e que o filme foi muito bom, mas nada demais, isso ou aquilo nunca existiu...
Só na minha, na sua cabeça... Só um filme...

Mas que filme pra dar medo assim caramba!...
Não assisto sozinha nunca mais!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Esconderijo secreto...


Deve ter sido logo após o almoço de final de semana, eu sumi do mapa...

Eu devia ter uns 5 anos, falava pelos cotovelos, cheia de energia e apimentada, definitivamente uma criança muito feliz.

Conhecia a maioria das crianças do prédio onde morávamos, a Renatinha e eu subíamos e descíamos escadas, apertando campainha a procura de crianças pra brincar no pátio.
É tão nostálgico lembrar dessa época!

O balanço onde brincava e voava, ia as alturas sem medo. Da corda que subia até o teto do galpão igual a uma macaquinho travesso. Ou quando apanhava mangas quando subia na torre de metal e quase pulava no pé de mangueira do vizinho. Eu era uma moleca da cabeça aos pés...

Bom, naquela tarde, após perceberem a falta da minha presença todos ficaram um bom tempo a minha procura, olha daqui e dali e nada. No pátio...nada. No parquinho, também ninguém. Na portaria ninguém me viu.
Bateram de porta em porta perguntando se alguém havia visto a garotinha de olhos puxados do apartamento do segundo andar.
Ninguém a viu...ninguém

Já não sabiam mais onde procurar...

De repente algo se mexeu atrás da cortina da sala e alguém notou o movimento peculiar do tecido...

Adivinha quem ou que era?

Eu... dormindo, atrás da cortina, toda encolhida, absorta em meus sonhos e despreocupada com o resto do mundo lá fora.

O rosto que eu nunca esqueci...


Lembrei me disso a pouco tempo revendo fotos de colegas do colegial. Eu queria ser descolada, mas eu dava muito ouvidos a pessoas que não sei se importavam tanto assim comigo.

E adolescente é tão bobo e previsível...

Entre tantas fotos lá estava ele, mas diferente, pudera mais de 10 anos já se passaram. Quem não envelheceria?

Tão tímida, eu nem soltava um "A" ou um simples - Oi, como vai você?...

Eu o bservava sempre de longe, quase como uma espiã. Na hora da aula de educação física, ele ficava a margem, sentado, de vez em quando participava das aulas.
Faltou me coragem...

Ele não era o tipo físico atlético, mas seus olhos azuis hipinotizavam os meus castanhos amendoados, era surpreendente.

Embora usássemos a mesma linha de ônibus, foram rara as vezes que eu consegui soltar um -Oi ...meio tremido.

Do lado de lá eu tambem percebia que ele me olhva de vez em quando... Será que acontecia tudo igual?... Acho que nunca vou descobrir...

A única vez que ele ficou muito tempo me olhando do portão da escola. Eu não fui fácil, tão pouco direcionei qualquer palavra para ele. Como era tão tola e fácil de ser manipulada!
Disseram me as más linguas que ele era muito delicado, que talvez fosse...

E eu acreditei... Pura mentira, suposições...

Eu já estava trabalhando e a útima vez que eu o vi foi descendo do ônibus para pegar outro...

Hoje, eu sei que tenho e posso confiar em meus instintos...
Em outras situações sejam elas quais forem. E dizer tudo o que tenho a dizer...

Já não tenho medo do fracasso, do talvez, ou simplesmente do "Não"...

Posso dizer, que ao menos uma vez eu tentei...

....

Nunca o procurei, nossas vidas tomaram rumos diferentes. Aquele precioso segundo passou para mim como deve ter passado pra ele. O momento foi mágico mas deixei o escapar por entre meus dedos...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Aracnofobia...


Curiosidade:
Existe um campeonato chamando Kumo Gassen, na cidade de Kajiki no Japão, trata-se de um campeonato entre aranhas de verdade, aracnídeos do gênero Argiope, tratadas com dieta especial a base de insetos e Shochu, um tipo de estimulante natural...
Não precisam inventar mais nada depois dessa...

Biologia:
Entre os aracnídeos, há 40.000 mil espécies registradas, sendo que a maioria é venenosa, uma pequena parcela é inofensiva( tipo a papa mosca) e contribuem para o equilibrio alimentando-se de insetos. Dentre os venenos destilados por essas pequenas criaturas são três tipos: o neurotóxico que atinge o sistema nervoso, o proteolítico que afeta pele e músculo, e por fim o hemolitico que destrói glóbulos vermelhos.

...

Havia um depósito na frente da minha casa, e quase todos os dias recebia caminhões de outras cidades e estados. Uma viagem dessas, acabou trazendo um novo hóspede para a nossa árvore da calçada...

Da noite para o dia surgiram teias na copa densa da grande árvore e no jardim e bem no meio delas enormes aranhas esvedeadas e pernas compridas e arqueadas...
A frente da nossa casa agora parecia uma daquelas de filmes de terror, bem a caráter e não eram feitas de algodão doce, e sim reais...

Passado alguns dias, a árvore estava infestada de aranhas.

Era humanamente impossível caminhar pela calçada sem olhar para cima e não enxergar os tais hóspedes esticados nas teias.

O serviço de extermínio de aracnídeos foi solicitado...

Minha irmã, eu e a caçula munidas de cabos de vassouras e pedras para acertar o alvo.
O plano era simples, acertar na teia pra que elas caíssem e depois surpreendê-las com o golpe fatal...

Eca...argh!!!

Que nojo...aff!

Isso arrepia a minha alma, prefiro nem me lembrar...

Parecia cena de filme, a gosma verde, as pernas compridas e o barulho de craft...

Uma, duas, três...Acho que foram umas dez no total. Éramos maluquinhas, já imaginou? Com certeza eram aranhas venenosas, pois não tinham cara nem porte de papa-moscas.

Crianças...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Discernimento...



Sou fotógrafa, mas nem por isso tento impor minhas opiniões sobre fotografia, fotos e equipamentos a ninguém e nem tão pouco despejo, ou repito as mesmas palavras de outras pessoas para ser a "expert"no assunto...

Eu tenho consciência que tenho que me aprimorar... Voltar a estudar principamente!

Discernimento...

Lembro quando comecei a estudar fotografia em studio. Acabei ficando obcecada, são muitos detalhes a serem observados.
E na vida normal, isso estava influindo no meu modo de ver outras pessoas...
Passeava no shopping e eu ficava analisando as pessoas da cabeça aos pés...O tipo de cabelo, corte, tintura, maquiagem se estava combinando, se era da estação. A roupa se era da moda, a blusa, calça, saia drapeada ou balonê, salto alto, scarpin, brincos, colares e etc...Por fim eu estava muito chata, excesso de críticas dentro de mim...

Depois disso eu comecei a separar o meu trabalho de fotografia... Lógico que surgem aquelas idéias do nada, mas não a ponto de me aborrecer desse modo.

Ou até mesmo quando me encontro numa roda de amigos ou familiares, ver fotos com eles é diferente, pois estão dividindo a vida deles comigo. As fotos nesse caso são uma relíquia de família. Basta ver o essencial, a emoção do momento, a recordação...

Críticas eu deixo para meus trabalhos, ou quando realmente pedem minha opinião profissional.

Falar é fácil...
Apontar erros é fácil...
Criticar é muito fácil...

Tem certas horas e ocasiões que o umbigo deveria ser do tamanho da pessoa. Com certeza não passaria desapercebido...
...( para aqueles invíduos chatos que apenas criticam, mas desconhecem a auto-crítica...)


Saindo do limbo...


Pretensão, excesso de confiança, e imaturidade.
Foi a combinação perfeita para aquele desastre. Se não fosse por um pequeno detalhe, teria sido o meu melhor trabalho em fotografia.

Mas pequei por excesso de auto confiança e estava despreparada para o pior...

Bom, passado tal evento... Eu sabia que isso teria um preço muito alto se fosse um contrato real...
Fora um presente, mas deveria ter sido o mais especial e perfeito presente, perfeccionista a parte, eu fiquei a desejar por aquele único momento que deixei escapar...

E quase abandonei a fotografia porque não me julgava digna de continuar nesse caminho.
Perdi a fé em meu trabalho, em meu talento, e principalmente em mim...
Permaneci num limbo durante 3 meses, sem tocar naquelas fotos, sem olhar para minha camera fotografica, sem querer sequer fotografar...

Estive a ponto de vender tudo, todos meus equipamentos... Mas parece que tudo acontece no seu tempo...
A quem quer que seja, talvez meu anjo da guarda.
Eu não poderia jamais, nunca abandonar a fotografia...
Faz parte do meu sangue, da minha alma, abandoná-la seria o mesmo que me perder...
Retornar foi difícil, pois eu tinha que vencer essa barreira que me paralizava e acreditar em mim mesma, aprender com os meus erros e seguir em frente sem medos...

Eu voltei...
E vejo a fotografia com muito mais respeito a ela e ao meu nome.
Eu amadureci, vi que o "hobbie", é muito mais... hoje é a minha grande paixão e a profissão a que vou dedicar todo meu tempo até onde puder e o tempo me permitir...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

In memorian...



O que me define como normal?

O jeito como me visto?

O que eu leio?

O que eu falo?

Ou deixo de falar?

O que eu faço ou deixo pra trás...

Quem sabe o jeito como posto meus talheres, sento-me a mesa e rezo...

Deus me perdoe por aquela única vez em que perdi minha fé em tudo e todos e principalmente em mim mesma...

Nesses tempos modernos, onde a correria desenfreada que nos impede de olhar para os lados. A alma se perde em desespero daquele colega, amigo, vizinho...

O rosto perfeito, esconde muitas vezes a alma vazia e solitária...
A dor no peito sufoca e rouba o ar dos pulmões...
A cabeça enlouquece, a alma se perde e o corpo padece...

O limite ... Eu vi esse limite, mas nunca cheguei perto dele.

5 minutos bastam...

O amanhã não existe mais, o ar se foi, e a dor permanece para os entes queridos que ficam...