
Meu pai...Sempre o imaginei o pilar dessa família, ele, forte, imbatível e indetrutível...
Aquele homem que um dia foi campeão paulista no judô, alto e de coluna ereta como uma rocha inabalável...
O tempo também o acompanhou, e a vitalidade de outrora foi se esvaindo. Deixando um corpo cansado mas com muitas experiências.
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Vê-lo internado no PS devido a uma celulite no braço e totalmente fragilizado me deixou arrasada. Uma por ele estar passando por todo aquele processo de dor, a segunda por eu realmente perceber que meu super homem era humano e terceiro a frustação de não poder ofererecer a ele um tratamento hospitalar melhor do que aquele onde estava...
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Nós sempre tivemos brigas desde minha adolescência, discussões essas que nos magoavam mutuamente, porque temos o mesmo gênio teimoso e brigão...
Recentemente, aliás há 5 meses brigamos devido a divergência de opiniões quanto a dieta que ele deveria seguir e restringir também... Não deu outra, brigamos, e houve outra discussão sobre isso e outra sobre aquilo...
O silêncio emudeceu nossas vozes... Nem ele, tão pouco eu, dávamos o braço a torcer...
Sendo assim paramos de falar um com o outro, por dias, semanas e meses...
Era melhor assim, tudo era motivo pra começar uma nova briga...
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Mas... sempre tem esse "mas", não gosto de ficar distante e brigada com ele...
Ainda mais hoje, que daqui a pouco irá alcançar a casa dos 70... O tempo passa, mas pode muito bem encerrar a qualquer hora...
Sei disso mas do que ninguém, o futuro pertence somente ao "cara" lá de cima.
Não consigo fingir que está tudo bem quando na realidade não estou. Meu rosto transparece qualquer desequilibrio, não sorrio quando estou triste, não dou gargalhadas quando algo me incomoda...
Nós dois precisávamos de um tempo em silêncio. Pois a distância nos faz refletir, e perdoar.
...-"Pai, lembra daquela história do prédio, em Juiz de Fora...?"
-"Lembro..."
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