quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Sentimento esse que se chama amor...

Ele chegou em casa há dois anos, naquele momento, numa conversa com meu melhor amigo ( Val).
Eu não sabia o que responder, meu amigo desesperado tentando achar um lar para o filhote que ele havia encontrado na rua.
Na casa dele, seria impossível, já que tinham outros dois cachorros...

Em casa, a situação já estava delicada, na verdade superlotada com animais de idade e uma certa tranquilidade instalada.

Fui conhecer o pequeno sem grandes pretensões, ele era, é muito sapeca, estabanado, brincalhão. Fiquei com dó, e fui convencer minha irmã e pai a aceitá-lo. Praticamente não tinha um lugar só dele, ja tinha cachorro no quintal, dentro de casa, e no jardim...
Onde ele iria ficar?
Eu prometi que cuidaria dele, de dia ficaria no jardim, e à noite ficaria comigo no quarto.
Ele...o pequeno, não tinha nome ainda, e era grandinho por volta de 7 meses, segundo a veterinária que examinou. "- O nome é Bruce... respondi pra moça na recepção!

Assim, começou a jornada com o novo morador, Bruce...(vulgo Neguinho).

Ele convivia com outra cachorra adotada também na época... Pretinha. De vez em quando rolava um "fight" de leve, normal, mundo canino, disputa e etc.
Comprei de tudo e um pouco mais pra ele. Roupas, a segunda melhor ração do mercado, colchonete, brinquedos, e mais brinquedos. Petiscos, pratinhos... tudo pra que não faltasse nada pra ele.

Era uma correria até me acertar com a nova rotina... A noite virava dia, era dar a janta, levar pra fazer xixi, ficar de olho nele, depois fazia minha coisas da casa e quando ficava no quarto colocava ele pra dormir e ia para o computador editar fotos... Cansativo, mas fui sem reclamar.

No final de 2014, nosso bichos idosos começaram a se despedir uma atrás do outro...Pretinha. Logo depois do natal foi o Sansão (caramelo), perto do carnaval a gatinha Lulu. E logo foi se Apolo o morador do quintal.

Eu polpei Bruce de ver a morte deles, mas hoje, chego a conclusão que fiz a coisa errada... Ele deveria ter visto e ficado junto. Porque era o mais novo e tinha que seguir os exemplos dos mais velhos, não aconteceu nada disso... A coisa desandou no que deixei de fazer por ele...
O meu pequeno ficou só, e creio que sem entender muito bem o que estava acontecendo, todos sumiram, e não contei pra ele. Ele começou a ser comportar com certa agressividade e principalmente comigo. Por várias razões... que passaram desapercebidas.

Disputa de território comigo...

Não aceitava minhas regras na casa...

Impus castigos severos que não adiantaram...

Eu desconhecia a sua raça ou predominância ( vira lata, com traços de pitt bull)...

Eu queria fazer tudo ao meu tempo não no dele...

Ele estava sozinho e eu não percebi isso...

Muita energia e pouca atividade...

...

Muitos porquês, muita pesquisa pra saber e lidar, pedi ajuda pra todos que conhecia e tinham experiência nesse caso.

Segui a risca:
Mudança com inclusão de atividade física (caminhada), não coloquei mais roupinhas, castigo somente isolado sem contato humano, retirei algumas coisas da dieta, e tantas coisas que agora acabo esquecendo de escrever...
Enfim, tantas recomendações, de como falar, agir, fazer...

Era a coisa certa a se fazer, mas eu me sentia longe dele...

Havia nele um olhar ainda agressivo pronto pra me atacar. E isso me assustava, e ainda fico assustada.

Esses dois últimos dias, que chovia sem parar... foi quando me deparei que temos muitas recomendações, mas nada supera o momento que é sincero por parte de nós humanos de querermos estar ao lado do cachorro. Ele sabe disso, sente e percebe a veracidade disso.
Eu tinha certeza que iria me atacar por bobeira a qualquer momento... e isso era tenso!

Porém, ele me surpreendeu e me ensinou o caminho dessa vez. Do fundo do meu coração eu lamentei por não sair e passear com ele, compensei com carinho, afagos, e muito colo pra esquentar as patinhas que estavam geladas. Ouvimos música pelo celular e assistimos vídeos de comédia. Neguinho não fez birra pra comer, não aprontou e muito menos me atacou. Fiquei estarrecida com tudo isso... E perguntava por que?

A primeira vez, depois do falecimento da Pretinha que ele se comporta com calma e parecia que sabia realmente que eu  estava triste por ele não poder passear.
Amor de verdade e doação do meu tempo pra ficar com ele, fazendo coisas do dia a dia.
Ouvia minha voz a todo momento conversando com ele.
Isso com certeza é a paz no paraíso!

Feliz por ele fazer parte da nossa família!

Velhos acordos...amores incompreendidos.

Aceitar um situação da qual a gente não consegue escapar ou simplesmente dizer não... Por que então acontece, e deixamos estar, e talvez pensar que se não encontramos a pessoa certa...acabamos presos num  círculo vicioso e sem rumo.

A velha desculpa que um dia a pessoa mude de ideia, olhe pra gente como se nunca olhou antes, ou que o cupido resolva ajudar. Ahhh tem horas que a fé é forte, mas outras a realidade bate tão duramente na cara que a alma começa a ficar pesada, as noites viram dias, a névoa se desfaz e o príncipe vira pó e não mais sapo ao menos...

Queria mudar certa pessoa, mas no entanto, sou eu que estou mudando a cada dia, caindo em minhas próprias armadilhas, por conta só minha e de mais ninguém. E vale à pena?
Mundo complicado, que a gente cria pra culpar os outros!
Eu aceitei viver desse modo. E, vejo que vale e não vale a pena...

Perdoo a mim, o que eu não posso mudar de fato, e tal é uma pessoa que não sou eu... Mostrar o meu mundo não preencheu o vazio alheio, mas creio que o vazio dele seja maior e que sua procura para ocupar esse espaço vazio, não seja eu a resposta.
E, assim, eu resumo que a culpa não seja minha, fato...