Ele chegou em casa há dois anos, naquele momento, numa conversa com meu melhor amigo ( Val).
Eu não sabia o que responder, meu amigo desesperado tentando achar um lar para o filhote que ele havia encontrado na rua.
Na casa dele, seria impossível, já que tinham outros dois cachorros...
Em casa, a situação já estava delicada, na verdade superlotada com animais de idade e uma certa tranquilidade instalada.
Fui conhecer o pequeno sem grandes pretensões, ele era, é muito sapeca, estabanado, brincalhão. Fiquei com dó, e fui convencer minha irmã e pai a aceitá-lo. Praticamente não tinha um lugar só dele, ja tinha cachorro no quintal, dentro de casa, e no jardim...
Onde ele iria ficar?
Eu prometi que cuidaria dele, de dia ficaria no jardim, e à noite ficaria comigo no quarto.
Ele...o pequeno, não tinha nome ainda, e era grandinho por volta de 7 meses, segundo a veterinária que examinou. "- O nome é Bruce... respondi pra moça na recepção!
Assim, começou a jornada com o novo morador, Bruce...(vulgo Neguinho).
Ele convivia com outra cachorra adotada também na época... Pretinha. De vez em quando rolava um "fight" de leve, normal, mundo canino, disputa e etc.
Comprei de tudo e um pouco mais pra ele. Roupas, a segunda melhor ração do mercado, colchonete, brinquedos, e mais brinquedos. Petiscos, pratinhos... tudo pra que não faltasse nada pra ele.
Era uma correria até me acertar com a nova rotina... A noite virava dia, era dar a janta, levar pra fazer xixi, ficar de olho nele, depois fazia minha coisas da casa e quando ficava no quarto colocava ele pra dormir e ia para o computador editar fotos... Cansativo, mas fui sem reclamar.
No final de 2014, nosso bichos idosos começaram a se despedir uma atrás do outro...Pretinha. Logo depois do natal foi o Sansão (caramelo), perto do carnaval a gatinha Lulu. E logo foi se Apolo o morador do quintal.
Eu polpei Bruce de ver a morte deles, mas hoje, chego a conclusão que fiz a coisa errada... Ele deveria ter visto e ficado junto. Porque era o mais novo e tinha que seguir os exemplos dos mais velhos, não aconteceu nada disso... A coisa desandou no que deixei de fazer por ele...
O meu pequeno ficou só, e creio que sem entender muito bem o que estava acontecendo, todos sumiram, e não contei pra ele. Ele começou a ser comportar com certa agressividade e principalmente comigo. Por várias razões... que passaram desapercebidas.
Disputa de território comigo...
Não aceitava minhas regras na casa...
Impus castigos severos que não adiantaram...
Eu desconhecia a sua raça ou predominância ( vira lata, com traços de pitt bull)...
Eu queria fazer tudo ao meu tempo não no dele...
Ele estava sozinho e eu não percebi isso...
Muita energia e pouca atividade...
...
Muitos porquês, muita pesquisa pra saber e lidar, pedi ajuda pra todos que conhecia e tinham experiência nesse caso.
Segui a risca:
Mudança com inclusão de atividade física (caminhada), não coloquei mais roupinhas, castigo somente isolado sem contato humano, retirei algumas coisas da dieta, e tantas coisas que agora acabo esquecendo de escrever...
Enfim, tantas recomendações, de como falar, agir, fazer...
Era a coisa certa a se fazer, mas eu me sentia longe dele...
Havia nele um olhar ainda agressivo pronto pra me atacar. E isso me assustava, e ainda fico assustada.
Esses dois últimos dias, que chovia sem parar... foi quando me deparei que temos muitas recomendações, mas nada supera o momento que é sincero por parte de nós humanos de querermos estar ao lado do cachorro. Ele sabe disso, sente e percebe a veracidade disso.
Eu tinha certeza que iria me atacar por bobeira a qualquer momento... e isso era tenso!
Porém, ele me surpreendeu e me ensinou o caminho dessa vez. Do fundo do meu coração eu lamentei por não sair e passear com ele, compensei com carinho, afagos, e muito colo pra esquentar as patinhas que estavam geladas. Ouvimos música pelo celular e assistimos vídeos de comédia. Neguinho não fez birra pra comer, não aprontou e muito menos me atacou. Fiquei estarrecida com tudo isso... E perguntava por que?
A primeira vez, depois do falecimento da Pretinha que ele se comporta com calma e parecia que sabia realmente que eu estava triste por ele não poder passear.
Amor de verdade e doação do meu tempo pra ficar com ele, fazendo coisas do dia a dia.
Ouvia minha voz a todo momento conversando com ele.
Isso com certeza é a paz no paraíso!
Feliz por ele fazer parte da nossa família!

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