
"Crianças não tem maldade nenhuma"... Já ouvi isso, e não sei quem pode acreditar nessa frase.
A realidade dos grupinhos infantis é totalmente diferente do ideal que os pais sonham para os seus filhos.
Eu era uma nerdizinha inofensiva, o alvo preferido daqueles, ou melhor daquelas que se denominavam donas do pedaço...
Minha educação familiar nunca me ensinou como deveria me comportar nessas horas... Ai de mim, não revidava, estava acuada e sozinha.
A perseguição...
Tudo começa por causa dos olhos diferentes que são amendoados e orientais...
A hora do intervalo, era a preferida para os ataques que no começo eram só verbais...
Não me recordo exatamente das palavras ofensivas que me fizeram chorar durante dias.
Ainda bem que sempre que quero esquecer algo ruim da minha vida, eu realmente acabo deletando de vez da memória.
...
Tudo em mim era errado e tranformava-se em piadas de mal gosto. O cabelo, os olhos, o jeito de falar, minhas roupas, até o meu lanche...
Foram semanas de tortura, sendo o motivo de chacotas e chorando antes de dormir...
E mais um dia que seria igual aos outros. Não foi...
Havia chegado a hora de dar um basta àquela situação. Não sei de onde eu tirei tanta força pra enfrentar as duas meninas que me maltratavam...
Estava eu sentada, sozinha e já vieram me atormentar. Falando no pé do meu ouvido...
Eu revidei pela primeira vez... Respondi alto, e avisei que iria partir pra agressão física caso continuassem, eu iria me machucar muito, eu sabia disso mas valeria a pena...
Perceberam que eu não estava blefando e se afastaram.
Desde aquele dia esqueceram que eu existia.
Eu continuei a minha vida, aprendi a me defender e esqueci seus nomes e rostos...
2 comentários:
Vc sabe que eu penso nisso às vezes, em como machucou na época, e hoje não me lembro dos nomes dessas crianças...
E eu chorava todos os dias pra mãe e reclamava de ser como eu era...
Ah, hoje não importa mais!!! Dou risada!
Eu não me recordava dessa história até ler algo no jornal falando sobre o "bullying". Na hora veio essa lembrança vaga... mas presente.
Bom de relembrar é ter enfrentado e superado.
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