Há sete anos atrás abusei da sorte, fui inconsequente e quase fui dessa pra melhor...
E minha irmã quase embarcou junto...
Triste ingenuidade ou graças aos céus meu anjo da guarda existe.
Já passava das 14:30 minutos ... Mas do nada resolvi, eu vou fotografar... Preciso! E pensei, ... Onde?
Arrastei minha irmã pra me ajudar e fazer umas anotações enquanto eu fotografasse.
O lugar escolhido é abençoado de alguma forma, mas seria o último lugar a receber visitas por alguém numa plena tarde ensolarada de sábado.
Saudade era o seu nome... Cemitério da "Saudade".
Comecei a fotografar aqui e ali. Algumas esculturas, closes, paisagens, mudando a velocidade, e o diafragma da câmera fotográfica...
A entrada ficava distante mas era possível vê-la ainda. Andamos um pouco até chegar numa encruzilhada debaixo de uma grande figueira.
Quando de repente, ouvimos um zunido parecido com enxame de abelhas misturado com vozes numa linguagem incompreensível. Procurávamos as abelhas mas nada delas na nossa frente. Olhei pra ela e vice-versa.
- Você ouviu o que eu ouvi?, perguntou minha irmã. Respondi : -Não é possível, o que foi isso? Eu não to vendo nada na minha frente...
Será que foi um sinal?
Eu não me importei muito com o ocorrido e continuei clicando. Conversando, fotografando e andando não percebemos o quão distante estávamos da entrada ou o sol quase em poente... e sozinhas.
A hora que percebi dois homens maltrapilho de olhos negros perto de um túmulo. Já era tarde demais pra correr...
Um deles caminhou em nossa direção. Ficamos paradas fazendo de conta que eu fotografava.
Ele chegou se esgueirando pelo caminho, e postou-se a nossa frente, com uma voz arrastada e baixa disse: -Vocês não querem fotografar lá em baixo? Tem o túmulo do pai caboclo...
Não demorei a responder, não gaguejei e fui persuasiva: - Não vai dar, a foto não vai ficar boa, falta mais luz. Vai ter que ficar pra uma próxima vez... Mas valeu, obrigada!
Após a resposta ele se distanciou de nós em direção ao outro elemento...
Assim que ele se virou, puxei a pelo braço em silêncio. E demos a volta também sem falar nenhuma palavra, andamos apressadamente pelo caminho que viemos.
Na metade do caminho encontramos um vigia fazendo a ronda de carro. Ele disse espantado: - O que vocês duas estão fazendo aqui dentro do cemitério? Já fechou...
Estávamos a salvo...
Solo sagrado... apesar de ser um cemitério abrigando túmulos e histórias passadas é uma terra abençoada onde aqueles que respeitam a vida e morte são protegidos.
Reconheço que abusei da sorte.
Obrigada mais uma vez meu anjo da guarda!
2 comentários:
Meu, ainda mais com a nossa querida irmã desligada...
Ainda bem mesmo que não aconteceu nada com vcs duas!
Sempre achei sinistro esse cemitério.
Aliás não gosto dos túmulos com fotos...
Tudo o que aconteceu, é verídico, podem acreditar...
O zunido foi estranho, mas não me deixei intimidar.
O pior foi ter encontrado os dois homens, pensei é hoje que to f...
Mas, sinistro mesmo é ver fotos de gente que já morreu em álbuns, costume de antigamente. Fotografavam pessoas mortas como se estivessem dormindo, isto sim, é sinistroooo....
Postar um comentário