Eu pensava que era uma "super mulher", assim eu presumia...
Já vivi muita coisa nos hospitais onde trabalhei. Aprendi com aqueles que amam a enfermagem a ter respeito, admiração e compaixão pela profissão. Não é fácil, principalmente quando você é muito nova (comecei a trabalhar com dezenove anos) e se torna responsável por outra pessoa.
Adorava conversar com os paciente da ala geral de adultos muitas histórias fascinantes, conheci uma vez um senhor que foi aviador da segunda guerra mundial.
Quando fui do berçário, lembro de um pai emocionado que quase desmaiou na porta do centro cirúrgico.
Já fui paciente também, sei como a gente fica vulnerável, e quanto é importante ter alguém em quem confiar e receber apoio.
Não me arrependo em nenhum momento de ter escolhido este caminho...
Todas essas experiências vividas lidando com pessoas, pacientes, colegas de trabalho, vida e morte, ajudaram a formar a pessoa que sou hoje.
Mas... É uma carga emocional muito pesada...
Adoro trabalhar com pessoas, mas muitas vezes eu ficava pensando muito em minha vida quando "coisas normais" aconteciam no hospital...
Às vezes, você tem que ser um pouco sarcástico se quiser sobreviver e ficar em sã consciência. Lidar com doença e morte todo santo dia? Uma hora ou outra a gente acaba fazendo piada da morte pra não emlouquecer...
Um dia, na uti neo infantil, acompanhei a recente mãe se despedir de seu filho... Só ouvi de longe a mulher chorora dizendo: - Adeus meu filho, a gente se encontra um dia em outro lugar...
Só me lembro que respirei fundo, e voltei a trabalhar.
Um outro dia, ao entrar no quarto do paciente. Ele estava na fase terminal, mas estava em plena consciência. Conversando, ele brincou: - Se eu apostar e ganhar você faz uma coisa por mim?. E eu, sem saber respondi, - Depende, mas o que você queria?
-Reza por mim...
Novamente, eu respirei fundo e continuei a trabalhar.
E num dia qualquer da semana, lá estava eu com uma paciente, colega de profissão. Estava pronta pra levá-la ao chuveiro. Ela estava tão emagrecida, fase terminal também. Conversávamos... e ai ela me olha e diz: - Essa água caindo do chuveiro, eu estou morrendo de sede, mas sei que se engolir só um pouquinho eu vou passar mal depois...
Eu olhei pra cima, depois pra ela sem dizer nada. Mas por dentro eu queria chorar e não podia naquele momento. Respirei fundo e novamente voltei a trabalhar.
Havia também aqueles que chamavam de highlanders... Já imaginou o porquê não?...
Mesmo esses que estavam vegetando, não falavam ou se mexiam, eram dependentes totais da equipe de enfermagem. Seus olhos traziam tristeza, conformidade e dor...
Tudo isso faz parte da rotina de um hospital...
Embora tudo isso faça parte de mim, já não sou mais aquela pessoa que suportava toda a rotina como dias normais... A super mulher?... Não passa de uma pessoa comum... O tempo foi passando e eu mudei, "amoleci"...
Tenho muita admiração e respeito por aqueles que escolheram trabalhar na área de saúde por amor ao próximo e vocação.
Há treze anos trabalho e continuo trabalhando na área da saúde, por enquanto... Pois meus planos para o futuro encontram-se em minha outra profissão...
FOTÓGRAFA.....
É uma outra história...
Já vivi muita coisa nos hospitais onde trabalhei. Aprendi com aqueles que amam a enfermagem a ter respeito, admiração e compaixão pela profissão. Não é fácil, principalmente quando você é muito nova (comecei a trabalhar com dezenove anos) e se torna responsável por outra pessoa.
Adorava conversar com os paciente da ala geral de adultos muitas histórias fascinantes, conheci uma vez um senhor que foi aviador da segunda guerra mundial.
Quando fui do berçário, lembro de um pai emocionado que quase desmaiou na porta do centro cirúrgico.
Já fui paciente também, sei como a gente fica vulnerável, e quanto é importante ter alguém em quem confiar e receber apoio.
Não me arrependo em nenhum momento de ter escolhido este caminho...
Todas essas experiências vividas lidando com pessoas, pacientes, colegas de trabalho, vida e morte, ajudaram a formar a pessoa que sou hoje.
Mas... É uma carga emocional muito pesada...
Adoro trabalhar com pessoas, mas muitas vezes eu ficava pensando muito em minha vida quando "coisas normais" aconteciam no hospital...
Às vezes, você tem que ser um pouco sarcástico se quiser sobreviver e ficar em sã consciência. Lidar com doença e morte todo santo dia? Uma hora ou outra a gente acaba fazendo piada da morte pra não emlouquecer...
Um dia, na uti neo infantil, acompanhei a recente mãe se despedir de seu filho... Só ouvi de longe a mulher chorora dizendo: - Adeus meu filho, a gente se encontra um dia em outro lugar...
Só me lembro que respirei fundo, e voltei a trabalhar.
Um outro dia, ao entrar no quarto do paciente. Ele estava na fase terminal, mas estava em plena consciência. Conversando, ele brincou: - Se eu apostar e ganhar você faz uma coisa por mim?. E eu, sem saber respondi, - Depende, mas o que você queria?
-Reza por mim...
Novamente, eu respirei fundo e continuei a trabalhar.
E num dia qualquer da semana, lá estava eu com uma paciente, colega de profissão. Estava pronta pra levá-la ao chuveiro. Ela estava tão emagrecida, fase terminal também. Conversávamos... e ai ela me olha e diz: - Essa água caindo do chuveiro, eu estou morrendo de sede, mas sei que se engolir só um pouquinho eu vou passar mal depois...
Eu olhei pra cima, depois pra ela sem dizer nada. Mas por dentro eu queria chorar e não podia naquele momento. Respirei fundo e novamente voltei a trabalhar.
Havia também aqueles que chamavam de highlanders... Já imaginou o porquê não?...
Mesmo esses que estavam vegetando, não falavam ou se mexiam, eram dependentes totais da equipe de enfermagem. Seus olhos traziam tristeza, conformidade e dor...
Tudo isso faz parte da rotina de um hospital...
Embora tudo isso faça parte de mim, já não sou mais aquela pessoa que suportava toda a rotina como dias normais... A super mulher?... Não passa de uma pessoa comum... O tempo foi passando e eu mudei, "amoleci"...
Tenho muita admiração e respeito por aqueles que escolheram trabalhar na área de saúde por amor ao próximo e vocação.
Há treze anos trabalho e continuo trabalhando na área da saúde, por enquanto... Pois meus planos para o futuro encontram-se em minha outra profissão...
FOTÓGRAFA.....
É uma outra história...
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