
Eu estava decidida a deixar de lado o meu violão e as aulas, meu jovem professor, Archimedes, triste por minha desistência, aconselhou : - Não páre de treinar em casa, se parar vai ser difícil voltar...
Abandonei minhas aulas de violão clássico, pra ter mais tempo com meu ex namorado... Que perda de tempo, fazia parte de mim, e modéstia parte eu mandava bem. Cheguei a executar a Valsa Choro de Villa Lobos, muito bem...
O dia da Audição... Como eu tremia de nervosismo! Dava-me ansiar pensar que tocaria na frente de tanta gente...
Mas Archimedes estava lá, e tocaria o segundo violão... Naquela época, eu tocava razoavelmente, errei tanto, mas continuei porque meu professor estava ao meu lado e confiante. Foi um alívio quando chegou o fim da última música.
Voltando...
Eu abandonei a mim mesma quando abri mão de tocar meu violão...
Nunca mais voltei a tocar, só a recordação dos acordes ecoando pela varanda.
...
Meu rosto era pálido e distante, tentava manter a sanidade dentro da minha cabeça enquanto eu trabalhava, vidas dependiam que eu estivesse consciente das minhas ações.
Então, eu trabalhava e quando sentia um aperto maior que chegasse a me sufocar, ausentava-me por alguns minutos e desaguava minha dor em lágrimas, pensava ... Ele partiu, e eu estou só...
Assim era minha rotina, trabalhava e chorava de vez em quando. Chegava em casa, chorava .... E á noite chorava antes de dormir...
Tive pesadelos, e o pior deles era cair e acordar no sonho "perfeito". Aquele em que tudo parecia ontem, no mesmo lugar. Um rosto conhecido, o rosto dele, que eu desesperadamente tentava esquecer e sufocar no me peito. O sonho era sempre o mesmo não tinhamos rompido, era como se nada tivesse acontecido de verdade. E quando eu acordava, sentia me feliz por um segundo, e depois chorava aflita e com dor... Era apenas um sonho, eu caía em desespero...
Haviam muitas lembranças dele enraizadas no meu coração...
Terminamos brigados, infelizmente. Para sobreviver a esses pesadelos ou lembrança que me arrastavam para o passado, matei essas raízes, aos poucos, não todas, mas a maioria...
Até que sua imagem, voz, beijo e abraço fossem uma vaga lembrança... Passado, finalmente.
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