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http://michelechristine.wordpress.com/2009/08/19/chuva-poeta-alceu/
A chuva continua caindo sobre os meus ombros embora esteja debaixo da minha sombrinha. Do outro lado eu ouço o múrmurio entre as pessoas cabisbaixas.
O céu não dá treguas...
Eu apenas observo o reflexo da água sobre o mámore.
Seria bom um dia voltar àquele lugar para refazer minhas fotos, mas não era o real motivo para estar ali parada, sentindo frio, segurando a minha sombrinha que mal me protegia da chuva fina...
Meia hora antes...
Tranquei todas as portas e portões antes de sair de casa e ir para o enterro de um dos meus tios. O tempo estava nublado. Enfim, alguém ouviu minhas preces e parou de chover. Havia fila para entrar no estacionamento, dei a volta, e quando retornei não hesitei, entrei na vaga do carro que saia da loja. Corri a largos passos, tanto quanto eu podia com minhas pernas.
Entrei mais uma vez naquela sala ampla com fotos de coroa de flores e subi a escada logo à direita. Encontrei minha outra tia e minha irmãs. Fui cumprimentar a família do meu falecido tio. Vi o rosto de cada um deles, tristeza que um dia eu já vivi aquele momento. A sensação era de um sonho que nunca terminava, mas que com certeza, uma hora acaba chegando ao final como qualquer história. Aquele corredor infinito não era meu, mas era como se estivesse voltando mais uma vez nele.
O zunido era tanto naquele salão que tive que me ausentar por uns minutos, muita gente falando ao mesmo tempo, um ar abafado e pesado que chega quase a sufocar...
Ouve-se o tocar do sino, e todos saem em direçao ao local do lugar onde ele será enterrado. A chuva fina volta juntamente com um ar frio e constante. Não chega a cortar o rosto como gelo, mas incomoda com as gotas de água espirrando no rosto.
Ouço a chuva caindo...
O momento é somente deles, e observo de longe a família se despedir do meu tio. A esposa, a mãe, os filhos e alguns amigos mais próximos da minha tia.
Fico pensativa mas não aos prantos...
Rezei como tantas outras vezes eu rezei por muitas pessoas. Mas a lembrança que guardo dele é do largo sorriso que sempre nos recebia em sua casa. Sempre foi muito alegre e brincalhão.
A gente passa por cada coisa nesta vida. E, não dá valor para as pequenas coisas ... As vezes me sinto fútil em dar valor a coisas que daqui a 10 anos nem vou me lembrar da minha raiva perdida...
Dar ouvido a pensamentos e valores de outras pessoas é a maior roubada. Quando na verdade sabemos o que vai dar certo, é só ouvir a sua voz interior, seu subcosnciente, você mesmo, eu mesma...

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