terça-feira, 17 de abril de 2012

Domando a fúria...

Levava cada tombo quando comecei a aprender a andar de bicicleta... Parece que nada mudou hoje...

Começo a relembrar de tantas coisas que já aconteceram em minha vida, flashs em minha cabeça...por onde passei, o que fiz ou deixei de fazer, o que eu disse, estudei, quem já amei, brigas, desafios...

1986, domingo de manhã. Uma das melhores lembranças da minha infância, saía com meu pai e minha irmã caçula para andar de bicicleta pelo bairro. Uma perfeita moleca, meu pai estava sempre por perto, me ensinava o que tinha de fazer, puxar o freio, pedalar, mas seu caísse eu iria direto para o chão quantas vezes fosse necessário para aprender a levantar...e tentar novamente. 

Fui uma adolescente típica, brigava com os pais por não entender o amor que tinham por mim quando falavam não... E buscava me identificar e achar meu grupo. Briguei muito com meu pai...e muitas veze parei de falar com ele.

Fui trabalhar ao invés de continuar os estudos. E não me arrependo disso, o crescimento profissional e pessoal que adquiri nesse últimos 16 anos, com certeza nenhuma escola daria toda essa percepção do mundo ou das pessoas. E, quando a gente começa a perceber a realidade a nossa volta, tais quedas são inevitáveis...

O mundo não era somente meu, errei muito e com pessoas que eu mais amava...Falei demais para querer magoar e ver outros chorando e sofrendo... Eu quis e desejei as piores coisas para aqueles que me magoaram. A fúria, e o pior que toda a minha genética poderiam me proporcionar tomavam conta da minha razão e da minha pessoa...

Por diversas vezes eu chorei muito, mas sempre me levantei porque embora essa fúria fosse o lado mais sombrio da minha alma, ela também é o lado mais forte que sempre me impulsionou a seguir sempre em frente.

Hoje, também caio mais uma vez, mesmo tendo feito o que pude e julgava ser o certo, procuro perdoar toda essa situação em meu coração, mas não é fácil, pois, não se apaga simplesmente as cicatrizes que ficam...
Eu poderia ter invocado toda a fúria para simplesmente satisfazer o meu ego, e acabar com certa pessoa. Mas,  não queria cometer os mesmos erros do passado, não queria prejudicar ninguém, e por amor maior a quem olha por mim lá em cima, eu não fiz nada, apenas disse o que deveria ser dito. Se foi uma provação e crescimento espiritual que eu teria de passar...doeu e dói muito. Contudo, estou em paz comigo, controlei a fúria, e venci!

Caí novamente, mas eu escolho me levantar, matando um leão por dia e queixo erguido!

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