quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os extremos...

Existem regras para serem seguidas nos locais de trabalho e principalmente nos hospitais, senão seria uma baderna. Porém, por que seguir a risca o que outros determinaram?!?
Muitas vezes esses que decidiram de alguma forma que a tal regra deveria ser aquela e não outra e ser executada formalmente pouco conhecem a realidade do dia a dia...

Antigamente, antes de hoje para ser mais específica, eu concordava com isso...

Observei a entrada da criança que veio com os pais, os dois, pai e mãe estavam presentes e não saíam de perto do menino de quatro anos. Lá só poderia ficar um acompanhante, se fosse seguir a tal da norma...
Deixei passar... e observei....

O menino olhava para a mãe e falava que não queria ficar ali. Olhava para o pai e repetia a mesma coisa...

Os pais conversavam olhando para o pequeno, dizendo que seria apenas uma conversa na outra sala. E ninguém faria nada demais....Bom, uma mentirinha inocente, porque ele dormiria pra retirar uns pontos da outra cirurgia.
Até a acompanhante de outro paciente ficou olhando para o menino e dizia para ele se acalmar também: Não se preocupe não vão fazer nada não ...

Quando ele foi direto pra sala de cirurgia eu fui acompanhando com a outra menina que estava nessa sala circulando. Ele estava realmente assustado, mas mantivemos a promessa dita que seria apenas uma conversa...
A medida em que o pessoal se organizava na sala com os equipamentos, materiais e medicações. Fiquei perto dele e continuei conversando com ele bem de pertinho... Perguntei do dodói que havia na perna direita, se ele ia pra escolinha, quem era o seu melhor amigo, o que ele fazia na escola, se ele tinha bichos em casa....

De repente, o soninho veio por encomenda do efeito da droga anestésica. Eu o segurava e com a ajuda da outra menina o colocamos deitado...

Saí da sala e voltei para a outra sala pós cirurgica. Por um lado foi o lado maternal batendo forte, mas fiquei pensando se eu tivesse tomado uma outra postura, daquela que apenas segue as regras.

O desfecho não seria o mesmo. O menino acordou com os pais ao lado, ficou enjuriado no início, mas tudo dentro do esperado. Fora isso, eu fiquei olhando ele e não vi medo em seu olhar ao me ver.
Isso foi muito positivo e uma lição para mim...

Uma hora depois, ele estava quase completamente recuperado, e brincava num dos carrinhos de criança. Chegou bem perto e perguntou: -" Tia! Esse carrinho tá quebrado...Olha ...a roda não vira.... e ele mexia no volante indignado...
Respondi, olhando pra ele :-" Poxa vida...é verdade e eu nunca tinha reparado que ele está quebrado.

Regras são regras em qualquer lugar...Evitam o caos... Mas serão completamente certas em todos o casos???

Começo a duvidar disso...

Certas decisões envolvem muito mais do que imaginamos. E afetam muitas pessoas ao mesmo tempo, mesmo que algumas pessoas sejam cegas ou egoístas ao não perceberem quando falam por simplesmente falar e não dizer nada...

Ouvi uma pessoa falar ontem: Eu não estou preocupada com isso ... eu fui bem na prova dela!

Traduzindo para um bom português:

Eu já tirei a minha nota e está ótimo pra mim, o restante é que se fod... Porque eu tô pouco me lixando pra quem foi mal...

O ditado é fiel mesmo....

"O peixe morre pela boca"

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